No início de 2026, Pequim impôs novo licenciamento de exportação a sete elementos de terras raras, e as aprovações europeias caíram abaixo de 25%. A resposta ocidental — o Projeto Vault, a aliança FORGE e o Regulamento de Matérias-Primas Críticas da UE — chegou a estágios críticos de implementação.
A China Aperta o Controle
A China controla cerca de 90% do refino global de terras raras, 60% da mineração e mais de 90% dos ímãs permanentes sinterizados, segundo a AIE. Os controles chineses de exportação de terras raras cobrem sete elementos, incluindo disprósio e térbio. Até dezembro de 2025, poucas empresas chinesas tinham licenças gerais, e os preços fora da China sextuplicaram para alguns materiais. As medidas de 2026 também restringiram a exportação de tecnologia de processamento: o regime chinês de licenciamento alcança bens estrangeiros com apenas 0,1% de valor de terras raras de origem chinesa.
A Contraofensiva Ocidental
Em fevereiro de 2026, Donald Trump anunciou o estoque estratégico Projeto Vault, uma reserva público-privada de US$ 12 bilhões (US$ 10 bilhões do Eximbank e US$ 2 bilhões privados), com GM, Stellantis, Boeing e Google, segundo a CBS News.
Na Ministerial de Minerais Críticos de 4 de fevereiro, Marco Rubio lançou a aliança FORGE, com 54 países e a Comissão Europeia. Os EUA assinaram 11 acordos bilaterais em um dia e mobilizaram mais de US$ 30 bilhões, segundo o Departamento de Estado. A FORGE inclui pisos de preços e tarifas ajustáveis.
O CRMA da UE fixa metas para 2030: 10% de extração doméstica, 40% de processamento, 25% de reciclagem e no máximo 65% de qualquer matéria-prima estratégica de um único país terceiro. Em 2025, 60 Projetos Estratégicos foram aprovados, mas a Europa ainda depende da China para 100% do refino de terras raras, segundo a Comissão Europeia.
É Possível Romper o Monopólio?
A resposta curta: não rapidamente. Mineração diversificada não significa independência de processamento. A cadeia da mina ao ímã tem cinco etapas, e a China domina as fases a jusante. Projetos não chineses podem somar cerca de 50.000 toneladas anuais de mineração até 2035, mas apenas 18.000 toneladas de metais, ligas e ímãs.
Barreiras: prazos de licenciamento de 27 meses (UE, mineração) e 15 meses (processamento); plantas de separação custam de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão; a China detém a maioria das patentes e restringe a transferência de tecnologia; e produtores chineses absorvem perdas para manter participação de mercado.
Consequências do Fracasso
Ímãs de terras raras são essenciais para o caça F-35, sonares de submarinos, motores elétricos, turbinas eólicas e munições guiadas. Mais de 80% das empresas europeias dependem de insumos chineses para defesa, veículos elétricos e renováveis. Reconstruir alternativas poderia levar 20 a 30 anos, deixando ao Ocidente uma janela de 12 a 18 meses. O Global Critical Minerals Outlook 2026 da AIE alerta que os controles chineses triplicaram desde 2023, ameaçando US$ 6,5 trilhões por ano de produção a jusante.
Perspectivas de Especialistas
"Os minerais críticos estão na vanguarda das agendas de energia, economia e segurança nacional", afirma a AIE, acrescentando que estoques estratégicos oferecem um amortecedor de custo modesto.
FAQ: Nacionalismo de Recursos em 2026
O que é nacionalismo de recursos?
Quando governos assumem maior controle sobre recursos naturais por meio de proibições de exportação, exigências de processamento, royalties ou propriedade estatal.
Por que a China aperta os controles?
Pequim usa seu quase monopólio no refino (cerca de 90% do global) como alavanca estratégica em disputas comerciais e tecnológicas.
O que é o Projeto Vault?
Um estoque estratégico americano de US$ 12 bilhões em minerais críticos para uso civil, financiado pelo Eximbank e capital privado.
O que é a FORGE?
Uma aliança de 54 nações lançada em fevereiro de 2026 para coordenar investimentos, pisos de preços e tarifas em minerais críticos.
O Ocidente pode romper o monopólio até 2030?
A independência total é improvável devido a gargalos de processamento, atrasos de licenciamento e lacunas tecnológicas.
Conclusão: Ponto de Inflexão Decisivo
2026 marca um ponto de inflexão. Os governos ocidentais comprometeram capital sem precedentes e novas alianças, mas a dominância chinesa no processamento e os longos prazos dos projetos mantêm o resultado incerto. Enquanto a UE impulsiona seu Regulamento de Matérias-Primas Críticas e Washington expande a FORGE, as consequências do fracasso para a energia limpa e a defesa são altas demais para ignorar.
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